The Stuff puta crítica social, mêu
- Anandha Correia
- 26 de mar.
- 2 min de leitura

Não é todo mundo que bate o olho no meu perfil do LinkedIn e reconhece a imagem de capa. Ela é meio enigmática e, ok, um pouco cult também, porque é um frame do clássico de 1985, The Stuff (ou A Coisa). Esse filme marcou minha infância, fase em que eu já amava trash (e continuo amando) e esses dias resolvi revisitar depois de muito tempo, no catálogo da Amazon.
A narrativa acontece em torno de um produto - um sorvete, pra ser específica - e esse produto causa um efeito colateral avassalador nas pessoas que consomem. A Coisa tem uma espécie de vida própria, é viciante, tem uma fórmula secreta, guardada a sete chaves - comparada com a da Coca no início do filme, e uma performance publicitária estrondosa - cuja a substância altera a mente e claro, o fabricante quer convencer a sociedade que a empresa que faz não é maléfica - através desse efeito manipulador provocado.
“Se não tem nenhum motivo pra proibir o produto, nós não podemos reprová-lo”.
Bom, para efeito do filme em si, o produto começa a ser investigado pelos 3 únicos sãos, que resistem à Coisa, mas os responsáveis corporativos pela aprovação dele, desaparecem. Tudo faz parte de um grande esquema e o final eu deixo pra vocês assistirem.
Soa familiar? A mim sim.
[RAIO LINKEDINIZADOR ⚡]
E por que a capa, então?
Porque, olhando hoje pra esse monte de efeito colaterais sociais causados pelo excesso de telas, The Stuff deixou de ser só um terror trash divertido e virou quase um documentário metafórico sobre como a gente consome conteúdo.
A gente pode até não chamar de A Coisa, mas chama de feed, de trend, de conteúdo - e vamos ser sinceros, tem conteúdo com zero conteúdo.
E a lógica é a mesma:
- é desenhado pra ser irresistível
- quanto mais você consome, mais você quer
- e quanto mais você quer, menos você questiona
O mais interessante é que, diferente do filme, é que nós não estamos escondendo completamente a fórmula secreta ou a procedência nosso vício. A gente sabe que o algoritmo é otimizado pra retenção e que existe disputa pela nossa atenção. Sabe que tem técnica, ciência e interesse por trás.
O paralelo que mais me pega não é o exagero do terror, e sim a naturalização. No filme, o absurdo é visível, já no nosso caso, é cotidiano. E aí entra um ponto que, pra mim, é central (principalmente pra quem trabalha com isso, como eu): a gente não está só consumindo, a gente também está produzindo “Stuff”.
E não me entendam mal! Isso não é uma crítica moral. Revendo o filme, eu achei genial como ele pode ser relacionado aos dias de hoje. PUTA CRÍTICA SOCIAL MEU. E a pergunta que fica é, qual tipo de conteúdo a gente está consumindo e ajudando a espalhar.
Agora, quando você entrar no meu perfil e se perguntar do que se trata essa capa engraçada Nina, vai entender que por trás de alguém com bagagem, sempre tem algo muito mais profundo do que uma fórmula pronta disseminada por aí, como A Coisa.


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